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Versão Romântica da História do Município de Boa Viagem. PDF Imprimir E-mail

A vastidão e a fertilidade das terras brasileiras eram um forte atrativo para a vinda de portugueses para a América do Sul. O Velho Mundo já não era mais capaz de dar sustento a todos os seus filhos, e alguns deles eram forçados a ir buscar subsistência longe de suas pátrias.

No início do século XVIII, uma família de portugueses emigra de sua terra com destino à colônia portuguesa no continente americano, na intenção de obter melhores condições de vida.

Na primeira metade do século XVIII, o português Manuel da Rocha Franco, casado com Maria Sanches de Carvalho, seu cunhado Domingos Sanches de Carvalho e as sete filhas do casal: Antônia Franco de Carvalho, Senhorinha de Carvalho, Anacleta Sanches de Carvalho, Eugênia Gonçalves de Carvalho, Agostinha Sanches de Carvalho, Lina de Carvalho e Bernardina Sanches de Carvalho emigraram de Portugal com destino ao Brasil. (NASCIMENTO, 2002: p. 49)

Logo que chegaram ao Brasil fixaram residência em Olinda, Pernambuco, onde, não sabemos por qual o motivo, visto que, nessa época, a mineração parecia ser mais lucrativa, Manuel da Rocha Franco decidiu começar a exploração de uma mina de cal.

O negócio parece que não prosperava, o ramo da pecuária parecia ser mais lucrativo. Nascimento (2002: 49) nos informa que os sogros de Manuel da Rocha Franco eram “Agostinho de Carvalho e Ana Gonçalves de Carvalho, os quais, em Pernambuco, constituíram a grande família dos Carvalhos” e estes eram prósperos pecuaristas da região, bem como senhores de escravos.

Não sabemos o real motivo da migração da família de Manuel da Rocha Franco de Portugal, existem muitas conjecturas sobre este assunto, para alguns esse motivo está ligado ao namoro do Alferes Antônio Domingues Álvarez, judeu-português, com sua filha, Agostinha Sanches de Carvalho.

Todavia, não acreditamos que o motivo seja pelo fato do alferes ter sangue marrano, pois a família de sua esposa, como nos afirma Nascimento (2002: 49),“a grande família dos Carvalhos, a que pertenciam muitos judeu-portugueses”, tinha em suas veias o sangue do povo de Israel.

O Sr. Manuel da Rocha Franco tratou de liquidar seus negócios em Olinda e partiu para o Ceará, fugindo pela segunda vez do judeu, que pretendia fazer parte de sua família, deparando com uma bela chapada, onde surgia uma vila, denominada de Icó. (NASCIMENTO, 2002: p. 49)

Hipoteticamente, acreditamos que o romance não era permitido pelos pais de Agostinha pelo fato de Antônio Domingues ser um jovem que não possuía recursos financeiros suficientes para dar-lhe uma vida digna, era pobre. Ou, se nossa opinião não estiver correta, desejava a todo custo esconder seu parentesco com o povo judeu. Tinha vergonha da descendência de sua esposa.

Os chamados cristãos-novos ou judeus convertidos ao catolicismo foram, a rigor, o principal alvo da ação inquisitorial portuguesa por mais de duzentos anos e os mais estigmatizados, ao menos do ponto de vista jurídico, pela obsessão da “pureza de sangue” que grassava em Portugal. (SOUZA, 1997: p. 239)

Por isso, procurava purificar o sangue de sua família, através de sua filha, realizando o seu casamento com um homem que a projetasse socialmente. Se permitisse tal união estaria selando o seu futuro. Seria uma excluída social pelo fato de ter optado em relacionar-se com um descendente de judeu.

Pouco tempo depois, informado do paradeiro de sua amada, chegou ao porto do Recife uma embarcação lusa, trazendo a bordo, entre os seus passageiros, Antônio Domingues Álvarez, que, meses antes, havia dado baixa de seu posto de alferes, no Exército português, e que, decidido pela paixão, viera ao encontro de sua amada, na longínqua colônia portuguesa, na América do Sul.

Saindo de Olinda, a família de Manoel da Rocha Franco fixou residência em Icó, no Ceará, voltando seus esforços para o plantio de cereais e a criação de gado. Prosperavam financeiramente e suas filhas casavam com pessoas influentes da região.

Tudo indicava que Antônio Domingues Álvarez esquecera a bela Agostinha. Por isso, o pai da moça estava tranqüilo na esperança de não mais sofrer o assédio do insistente rapaz, até que:

Certo dia, Agostinha ordenou à sua negrinha de companhia que fosse ao mato apanhar alguns espinhos de mandacaru, objetivando facilitar o trabalho manual de coser rendas em sua almofada. (NASCIMENTO, 2002: p. 49)

Próximo à casa de Agostinha estava Antônio Domingues Álvarez espreitando uma oportunidade de falar com sua amada. Por coincidência, encontrou-se com a escrava que estava a colher espinhos de mandacaru, insistentemente pediu à mucama que entregasse um bilhete para sua ama e que à noite esperava a resposta daquela missiva no mesmo local. Movida pelo amor e pela longa saudade, Agostinha foi ao encontro do seu amado pronta para a fuga.

Sem perda de tempo, montaram num fogoso cavalo. A história não nos revela se havia outro animal, o que podemos presumir é que Agostinha viajou na garupa e sua mucama na lua da sela fugindo rumo ao imprevisível. (NASCIMENTO, 2002: p. 50)

Dirigiram-se para a Vila da Mocha, hoje Oeiras, antiga capital do Piauí, na intenção de se casarem, pois sabiam que ali havia alguns padres jesuítas realizando as Santas Missões. Mas, o intento não ocorreu como esperavam, por falta dos documentos apropriados tiveram de adiar o casamento para outra oportunidade.

Diante dessa nova dificuldade tomaram outros rumos, até que, chegaram aos sertões do Quixeramobim, na Província do Ceará. Não sabemos se a decisão de vir por estas bandas foi proposital ou obra do acaso. Ao se aproximarem da fazenda Domingos da Costa, temerosos de encontrar jagunços a mando do pai de Agostinha, pressentiram que estavam sendo seguidos por pessoas armadas.

Para dificultar ainda mais a desesperada fuga, o cavalo que os conduzia morreu pela fadiga da longa e cansativa viagem, próximo a uma lagoa, às margens do riacho Cratiú.

Em desespero, e temendo serem alcançados pelos jagunços de seu pai, Agostinha prometeu que se escapassem, mandariam construir uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Boa Viagem, naquele local.

É bem complexo imaginarmos esse momento, tendo em vista que os dois tinham sangue judeu, povo que, historicamente, possui uma forte aversão à idolatria. Não sabemos muito, ou quase nada, sobre a vida religiosa do casal. Tudo o que se fala sobre isso, hoje, é montado em proposições que muitas vezes aumentam a intensidade desse clamor. Se foi algo de dentro do coração ou apenas um forte gesto de piedade por conta do desespero não sabemos; o que sabemos e que eles cumpriram a promessa.

Era muito comum, naquela época, valer-se de um santo publicamente, possuir um padroeiro ou, na melhor das hipóteses, construir uma capela. Isso servia até de prova para afirmar a catolicidade da pessoa frente às outras, no intuito de sair das vistas da fogueira do Santo Ofício, principalmente para um cristão-novo e seus descendentes.

Conta-se que um dos jagunços, ao chegar às proximidades da fazenda Domingos da Costa, sofreu de contrações espasmódicas dos músculos, se contorcendo em dores por conta do tétano. Esse motivo os fez regressar para o Icó, deixando o casal em fuga viver em paz.

Cessando a perseguição, Antônio Domingues Álvarez resolveu ir à Província de Pernambuco, no intuito de conseguir a documentação necessária para a realização de seu enlace matrimonial.

Em sua ausência, não sabemos o tempo em que ficou distante, nem o local exato onde Antônio Domingues deixou a sua amada e a pequena mucama. Algumas fontes nos relatam que elas ficaram em uma casinha de taipa, próxima à casa de um fazendeiro de sua confiança, nas proximidades do Riacho Cratiú e da mesma lagoa onde falecera o seu possante cavalo. Mais tarde, a referida lagoa recebeu a alcunha de lagoa do Cavalo Morto, já em Boa Viagem, que na época, pertencia aos sertões do Quixeramobim. Esse período afastado marcou muito o jovem casal.

Certa noite, Agostinha ouvindo uma pancada na porta, ordenou que sua acompanhante fosse examinar o que ocorria. Infelizmente era uma onça, que devorou a mucama. Ao regressar, Domingues encontrou Agostinha chorosa e abatida, com o triste acontecimento, que também muito o abalou. (NASCIMENTO, 2002: p. 51)

Os noivos se casaram, e algum tempo depois, Antônio Domingues Álvarez celebrou as pazes com o seu sogro. Prosperaram financeiramente e, em 1772, doaram terras e gado para a capela que construíram, e que, posteriormente, foi elevada à condição de paróquia.

Temos conhecimento, e ficamos surpresos com isso, que o casal teve apenas três filhos: Maria do Ó de Carvalho, Isabel Carvalho e Luciano Domingos. Essa pequena quantidade de filhos era incomum para a época. Não sabemos com precisão onde estão sepultados, acreditamos que estejam em algum local próximo à igreja matriz.

Dizia a octogenária, triste e chorosa, talvez relembrando os seus falecidos sepultados ao lado da capelinha: “Senhora Raimunda, esta morte, esta morte!” (NASCIMENTO, 2002: p. 54)

Também não sabemos onde estão os seus descendentes, o que sabemos é que eles se espalharam pelos municípios do Quixeramobim, de Crateús e de Quixadá.

 
Galácticos realiza confraternização PDF Imprimir E-mail

A diretoria da Sociedade Esportiva Galácticos realizou, nesse final de semana, um encontro entre amigos, atletas e seus familiares para comemorar o acesso do time à 1ª Divisão do Campeonato Boa-viagense de futebol, que será disputado em 2011.

O encontro foi realizado na Fazenda do Vilmar, bairro Capitão Mor onde houve uma confraternização que ficará marcada na historia do time e de quem esteve presente no local. A diretoria agradece a todos que marcaram presença nessa bela festa!

Veja as fotos dessa festa.

Visite comunidade dos Galácticos no orkut.

 
Beleza do Campo 2010 PDF Imprimir E-mail

Vídeo enviado pelo amigo França Nettho

Se não conseguir visualizar o vídeo clique aqui para ver direto no youtube.

 
Rua Pe. Mororó. PDF Imprimir E-mail

Os moradores do Município de Boa Viagem denominaram uma das ruas do Centro da cidade com o nome de um dos principais mártires do movimento republicano acontecido em 1824. Digo os moradores porque não existe um amparo legal que determine esta nomenclatura e, infelizmente, o poder público nunca se manifestou em regularizar esta situação.

Gonçalo Ignácio de Loyola Albuquerque Melo nasceu em 24 de julho de 1778, em um povoado a 25 km da sede do Município de Sobral, conhecido na época por Riacho dos Guimarães, atual sede do Município de Groaíras, a 220 km de Fortaleza, na região noroeste do Estado do Ceará.
Ficou conhecido pela alcunha de Pe. Mororó pelo fato de que, em diálogo com Bárbara Pereira de Alencar, heroína cearense, disse: “Dona Bárbara, em minha terra, a madeira que verga, mas não quebra, é o mororó, e de hoje por diante esse será o meu nome”.

Seu pai era natural do Rio Grande do Norte e se chamava Félix José de Sousa e Oliveira, já sua mãe, Theodosia Maria de Jesus Madeira, era cearense, nascida em Sobral. O casal contraiu núpcias em 05 de agosto de 1765 e teve vários filhos.

Seus avós paternos se chamavam Francisco de Sousa e Oliveira e Tecia Rodrigues Pinheiro, naturais da Província do Rio Grande do Norte. Seus avós maternos se chamavam Manoel Madeira de Matos, que era natural de São Bento, freguesia pertencente à Província portuguesa de Coimbra e Francisca de Albuquerque Mello, natural de Serinhaem, Pernambuco.

Conta-se que o seu avô materno veio para o Brasil por conta das perseguições palacianas movidas pelo Marquês de Pombal, e que, inicialmente, fugiu para uma das colônias portuguesas no continente africano, posteriormente, chegando ao Brasil, se fixou no Piauí, depois se mudou para o Ceará Grande, aonde finalmente se estabeleceu no Riacho dos Guimarães, até então pertencente a Sobral.

Da infância do Pe. Mororó, o que sabemos, é que era dedicado aluno das ciências físicas e naturais e que, aos 22 anos, demonstrando vocação ao sacerdócio, partiu para Pernambuco, no intuito de estudar Teologia no Seminário de Olinda, aonde foi ordenado em 1802.

Algum tempo depois de sua ordenação, em 1810, com 32 anos, foi designado a servir como Capelão de uma pequena vila, conhecida por Boa Viagem, no Sertão Central cearense, pertencente ao Quixeramobim.

Cícero Pinto do Nascimento, em “Memória da Minha Terra”, nos informa através do testemunho do Prof. Manoel Ximenes Aragão, sobrinho do Pe. Mororó, que no fim de 1810 veio residir em nossa cidade com seus pais e o tio, permanecendo até 1814, ano em que foi residir em Tamboril. Em sua atividade religiosa, pelo interior do Ceará, chegou a pregar contra a Revolução de 1817, até que, aos poucos, começou a ter contato com as idéias liberais lançadas no “Correio Braziliense”, jornal liberal da época.

Pe. Mororó era maçom, fato que o aproximou de Manuel Inácio de Sampaio, governador da Capitania do Ceará Grande, e de outros grandes vultos de nossa história. Graças a esta amizade, em 1818, conseguiu a nomeação para servir como professor de latim na vila do Aracati, permanecendo até dezembro de 1821, quando resolveu voltar para o sertão cearense, aonde residia alguns de seus parentes.

Na intenção de lecionar para seus familiares, e a convite de um dos coronéis da região, passou a residir em Campo Maior, antiga vila Nova do Rei. Nesta época costumava celebrar nas capelas de Barra do Sitiá, Fazenda Canafistula e de Campo Maior de Quixeramobim.

Nessa época, notícias vindas de nossa capital, o Rio de Janeiro, geraram uma grande insatisfação em nossa Província, culminando em uma sangrenta revolta que ficou conhecida como a Confederação do Equador.

Este movimento autonomista e republicano foi causado pelo descontentamento gerado pela dissolução da Assembléia Constituinte e a outorga da Constituição de 1824, sendo a província de Pernambuco o centro irradiador desta insatisfação.

No Ceará, ao receber a notícia, vinda pelas mãos do Diácono José Martiniano de Alencar, que à época estudava no Seminário de Olinda, Pe. Mororó, diante da Câmara da Vila de Campo Maior de Quixeramobim, numa memorável e heróica sessão, acontecida no dia 09 de janeiro de 1824, proclamou a primeira República do Brasil, quebrando, até então, todos os laços que havia com a realeza, acusando, inclusive, o Imperador D. Pedro I de traidor da Pátria e declarando-o, juntamente com toda a sua descendência, decaídos dos direitos ao trono.

Este e outros fatos tornaram o Pe. Mororó um dos principais articuladores do movimento revolucionário que, “além de liderar, participar e subscrever aquela memorável ata, determinou que fossem enviadas representações a outras Vilas para comunicar e conseguir adesão, como de fato sucedeu” nas Câmaras das Vilas de Icó, Aracati e São Bernardo das Éguas Russas.

Cientes de que a luta poderia lhes trazer serias conseqüências, os envolvidos na liderança da revolta estavam escondidos por trás de alcunhas ligados a flora e fauna de nossa região: alecrim, anta, araripe, aroeira, baraúna, beija-flor, bolão, carapinima, crueira, ibiapina, jaguaribe, jucás, manjericão, mororó, sucupiras, oiticica e etc.

Sufocada a revolta, depois de preso, Pe. Mororó foi condenado à morte por crime de Lesa Majestade. Contra ele pesavam três crimes: ter proclamado a República em Quixeramobim; ter servido de secretário do Presidente da República no Ceará, Tenente Coronel Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e, finalmente, de ter sido o redator do Diário do Governo do Ceará, órgão dos Republicanos.

A condenação determinava o seu enforcamento, porém, por não haver quem quisesse servir de algoz, a pena foi comutada para fuzilamento, ou melhor, tiros de arcabuz, uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte.

No dia da execução, 30 de abril de 1825, populares e soldados acompanhavam o cortejo. Muitos, dependurados nos galhos das árvores, concorriam para assistir o triste espetáculo. Conta-se que um dos galhos quebrou e parte dos espectadores veio ao chão como frutas podres que despencam em meio à zombaria geral, Pe. Mororó até esboçou um sorriso, mas o enredo era trágico e não cômico. O povo que os rebeldes confederados queriam libertar pouco ou nada sabia sobre as causas daquele movimento.

Diante do pelotão de fuzilamento, Padre Mororó recusa a venda e pede que não lhe ponham no peito a fita que indicava o local da mira, coloca a mão direita sobre o coração e corajosamente diz para o pelotão: “camaradas, o alvo é este. Tiro certeiro para que não me deixem sofrer muito”.
Atualmente o local se chama Praça dos Mártires, ou Passeio Público, e os fantasmas rebeldes confederados nos cobram a memória do passado e os compromissos de luta do presente.

 
Beleza do Campo 2010 PDF Imprimir E-mail

 
Algumas Características Geográficas de Boa Viagem. PDF Imprimir E-mail

O Município de Boa Viagem está localizada no Sertão Central do Estado do Ceará, na microrregião do Quixeramobim, a 216 km de Fortaleza, nossa capital. Tem como municípios limites, ao Norte, Santa Quitéria, ao Sul, Pedra Branca, ao Leste, Madalena e Quixeramobim e ao Oeste, Monsenhor Tabosa, Tamboril e Independência.

Nosso Município foi o 39º do Estado a receber a sua emancipação política. É o 25º município mais populoso do Ceará, possui, segundo o Censo de 2000, 53.538 habitantes e uma área de 2.836,774 km². É o oitavo maior município em extensão do Estado. Seu clima é semi-árido.

O acesso, segundo o DNIT e o IPECE, é feito através da Rodovia Federal BR 020, que o liga a capital do nosso Estado, Fortaleza, e pelas Rodovias Estaduais: a CE 169, trecho asfaltado que liga nossa sede ao Município de Pedra Branca, a CE 266, trecho ainda não asfaltado que da sede, liga Boa Viagem ao Município de Tamboril, a CE 265, trecho ainda não asfaltado que da fronteira do Município de Madalena com Boa Viagem, próximo à entrada principal da fazenda Poldrinha, passa pelos Distritos do Boqueirão, sede do Distrito de Ibuaçu e sede do Distrito de Jacampari, em Boa Viagem, e segue rumo à sede do Município de Monsenhor Tabosa. O município possui ainda uma quarta rodovia, a CE 341, que atravessa a sua região norte, dentro do Distrito de Massapê dos Paés, entre Madalena, Itatira e Santa Quitéria.

O município conta com diversos atrativos turísticos naturais, como a de Lajes dos Rogérios, a Cachoeira dos Ferreiras, o Cachoeirão das Almas além de vários açudes e inscrições rupestres, que estudiosos acreditam ser vestígios dos fenícios que andaram em nosso continente.

Possui também vários atrativos arquitetônicos, como a Casa das Almas, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, a Igreja Nossa Senhora de Fátima, a Igreja Evangélica Congregacional, a Igreja Evangélica Boa-viagense, bustos, praças, clubes e outros.

Uma peculiaridade que torna Boa Viagem especial frente a outras cidades é a sua semelhança com a cidade de Roma, capital italiana. A “jóia do Sertão Central”, como é carinhosamente conhecida, possui uma versão romântica e político-histórica em seu nascimento.

 
Rua Pe. Inácio Américo Bezerra. PDF Imprimir E-mail

Padre Inácio Américo Bezerra, embora tenha tido pouco envolvimento com o nosso município, recebeu o grato privilégio de ter o seu nome eternizado em uma das ruas de nossa cidade. Em 21 de março de 1988, na gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, a Câmara Municipal de Vereadores aprovou a lei nº. 459, que denominou uma das ruas do Bairro Boaviaginha.

Inácio Américo Bezerra nasceu em 12 de outubro de 1905, era filho de Américo Alves da Costa Filho e de Ana Lins Santiago. Nasceu na Fazenda Juazeiro, no Município de Independência, foi o quinto filho do casal, sendo o segundo do sexo masculino.

Em 1923, desejando dar continuidade aos seus estudos, deslocou-se de sua terra natal para Fortaleza, onde concluiu o ginásio no Colégio Cearense Sagrado Coração. Findo os estudos secundários, e fortemente influenciado por sua mãe, ingressou no Seminário de Olinda, em Pernambuco. Estudou também em Sobral e no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde finalmente concluiu seus estudos de Teologia e Filosofia.

Padre Inácio foi ordenado sacerdote em 21 de setembro de 1935, em Sobral, e celebrou a sua primeira missa em 26 de setembro, em sua terra natal, Independência.

Após a sua ordenação foi designado vigário cooperador da Paróquia de São Sebastião, em Ipú, ao lado do Monsenhor Gonçalo de Oliveira Lima, até que, em novembro de 1936, Dom José Tupynambá da Frota, Bispo de Sobral, o nomeou vigário da Paróquia de Telha, pequeno Distrito do Município de Tamboril.

Nesta paróquia desenvolveu um árduo trabalho, tendo em vista a pobreza desta comunidade. Celebrava diariamente, muitas vezes às cinco da manhã. Assistia assiduamente as capelas do Livramento e do Jacampari, até então pertencente ao Município de Boa Viagem, onde costumeiramente se fazia acompanhar de um harmônio e de um coro.

A comunidade de Telha, futura Monsenhor Tabosa, tornou-se desde cedo para ele a sua pátria, defendia ardentemente o seu progresso. Considerava-se um eterno inconformado com as suas conquistas. Mal tinha concluído uma tarefa e já estava programando uma atividade ainda mais desafiadora no intuito de projetar Monsenhor Tabosa. A busca pelo progresso de Monsenhor Tabosa fazia parte da maioria de suas ambições, isso justificou muitas de suas ações.

Auxiliado pela Diocese de Sobral assumiu a construção das estradas vicinais que ligariam a sede do distrito para as cidades vizinhas. Reformou praças e adquiriu instrumentos musicais para a formação de uma banda marcial.

Em 1942, ano de grande seca, realizou uma importante obra de assistência social socorrendo a população faminta do município com feijão, farinha, carne de charque e outros alimentos que serviram para saciar a fome daquela população faminta.

Sem um líder local forte para resolver as situações conflituosas do cotidiano foi obrigado a desenvolveu atividades que estavam fora da jurisdição de sua batina. Padre Inácio foi delegado, juiz, prefeito, médico, político, caminhoneiro, agricultor, fazendeiro e até empresário.

Seu maior intento foi conseguido através da lei nº. 1.153, de 22 de novembro de 1951, proposta do Deputado Estadual Dr. Raimundo Aristides Ribeiro. A partir daí Monsenhor Tabosa conseguiu a sua autonomia política, nesta época com apenas 5.000 habitantes.

Por toda a sua vida o Padre Inácio lutou pelo progresso e o bem estar de Monsenhor Tabosa, lutou contra inimigos poderosos, mas também conseguiu formar uma legião de amigos e admiradores que o acompanharam até o resto de sua vida.

Em 1959, com 54 anos de idade, já com a saúde debilitada, após 24 anos como Pároco de Monsenhor Tabosa, decidiu renunciar ao seu pastoreio e se recolheu à vida privada na Fazenda Juazeiro, local de seu nascimento, em Independência.

Debilitado pela doença que o levaria a morte, passou a residir em Fortaleza até que, em 21 de março de 1982, com 77 anos de idade, entregou sua alma ao Cristo que tanto amou.